Empresário Luciano Hang diz que lutará contra volta da esquerda

Dono Havan afirma que momento é de liberalismo econômico e celebra a "Semana do Brasil" como Black Friday brasileira. Veja entrevista ao R7
Hang comanda rede de lojas com 131 unidades e 16 mil funcionários DIDA SAMPAIO/ESTADÃO 

empresário Luciano Hang, dono da rede Havan e nome de destaque nas eleições de 2018 ao se tornar um dos principais apoiadores do então candidato Jair Bolsonaro, pretende manter o ativismo nas próximas eleições e já traçou um objetivo: lutar contra o retorno da esquerda a posições de destaque na política brasileira. “Todo cuidado é pouco”, diz.

Em entrevista ao R7, Hang afirma que ideias retrógradas prejudicaram o país nos últimos 30 anos e que o momento é de liberalismo econômico. Ele celebra o recente crescimento apresentado pelo varejo, apoia a liberação do FGTS ao trabalhador e diz ainda que a Semana do Brasil, realizada de 6 a 15 de setembro, será uma alternativa nacional à Black Friday.

Natural de Brusque (SC), Hang comanda da cidade catarinense a empresa que conta hoje com 131 lojas, 16 mil funcionários e que ajudou a colocar o empresário na lista de bilionários da revista Forbes.

Foi em janeiro de 2018, com a empresa já presente em diversas regiões do país, que Hang expandiu sua atuação para o campo político. A defesa da candidatura de Bolsonaro rendeu aplausos e apoio por um lado, e críticas de outro. Gerou ainda polêmicas como a do suposto impulsionamento irregular de material de campanha, o que ele nega, e uma multa do Tribunal Superior Eleitoral.

Nas eleições de 2020, o empresário não vislumbra uma participação tão ativa apoiando candidatos, mas sim defendendo a confirmação dos resultados obtidos em 2018, com a vitória de candidatos de direita. Veja abaixo os principais trechos da entrevista de Hang.

R7 - O nome do senhor ganhou destaque nacional no ano passado. O senhor acredita que isso contribuiu para o crescimento da marca Havan no país?

Hang - No dia 5 de janeiro de 2018 eu me tornei um ativista político. E sou hoje alguém que se dedica a mudar o país. Nós não chegamos ao fundo do poço de graça. Foi graças há 30 anos de trabalho do socialismo, do comunismo, de ideias toscas que culminaram na queda do nosso país. Eu sou hoje um voluntário para tentar mudar a cabeça dos jovens brasileiros para que votem melhor, para que os políticos sejam melhores, para que haja realmente uma nova política, com novos políticos, e nós possamos mudar o Brasil. Pelo contrário, se eu fosse pensar na minha pessoa, no meu individualismo, na minha empresa, eu ficaria atrás do muro, mas eu fui pra frente do muro para tentar mudar o país. Se não, nós viveríamos um verdadeiro êxodo de empreendedores. E eu seria um deles.

R7 - Pretende entrar para a política, disputar cargos?

Hang - O futuro a Deus pertence. Mas eu diria a você que nos próximos anos eu serei um ativista político para colocar no município, no Estado e em Brasília ótimos políticos que tenham lógica. Sou da área de TI. Lógica é tudo. Lamentavelmente o pessoal da esquerda não tem lógica, por isso não dão certo em lugar nenhum do mundo. Eles usam de falácias, de discursos populistas, para enganar a população e se perpetuar no poder. São de competência zero, são de ideologias furadas. Estive recentemente no leste europeu. Depois de 30 anos de leste europeu com economia aberta, os países que fizeram parte da cortina de ferro estão pobres, miseráveis. Você não muda mais um país através da mudança só do presidente. Você muda através da ideologia, da cultura e das metas.
Semana do Brasil aumentou vendas em 80%, diz HangAlan Santos/PR - 6.9.2019

R7 - O senhor pretende participar ativamente das eleições municipais do próximo ano?

Hang - Não vou me meter em política municipal, no máximo no meu município (Brusque-SC), onde lamentavelmente já tivemos um governo petista que foi caçado. Talvez institucionalmente. Eu vejo que é através dos vereadores, prefeitos e governos estaduais, que a esquerda chegou ao poder. Quero conscientizar as pessoas de que todo cuidado é pouco para que esse povo não volte. Nós estamos vivendo um novo momento, liberalismo econômico e conservadorismo nos costumes. O Brasil precisa acreditar na livre iniciativa, cada vez menos governo e mais cidadão. Vou tentar influenciar as pessoas que é através de um voto errado nós temos as consequências de um país bom ou um país ruim.

R7 – E em relação às denúncias de impulsionamentos de material de campanha por Whatsapp que surgiram durante a eleição nacional. Isso ocorreu? O senhor apresentou sua versão à Justiça?

Hang - Nada melhor do que você defender aquilo que não fez. Se você tem a ciência, a certeza de que não fez nada de errado, é ótimo sentar na frente de um juiz, promotor ou da Polícia Federal. Eu não impulsionei nada pelo Whatsapp até porque eu nem sabia que existia uma ferramenta para impulsionar. O que eu fiz foram vídeos maravilhosos, que se proliferaram porque o o conteúdo era bom. No meu celular eu tenho 10 mil contatos. Cada vez que você soltar um bom material num vídeo, você vê isso se alastrar, viraliza com muita facilidade. Foi o que aconteceu nessas últimas eleições.

R7 - Como avalia a Semana do Brasil. Está dentro das expectativas?

Hang - A Semana do Brasil é um sucesso estrondoso. Na Havan, nos três primeiros dias, sexta, sábado, domingo, as vendas cresceram 80% em relação ao mesmo período do ano passado. A primeira Semana do Brasil foi um lançamento de sucesso. A cada ano ela ficará mais grandiosa e mais conhecida.
O empresário de verde e amarelo 

R7 – Alguns empresários defendem o fim da Black Friday em novembro e a transformação da Semana do Brasil numa espécie de Black Friday nacional? O senhor apoia?

Hang - A Black Friday acaba antecipando muito as grandes promoções para antes de dezembro e prejudica o comércio. Mas isso só vai mudar o dia que todo comércio mudar a sua ideia. Eu não vejo agora nesse momento a mudança.


R7 – E no médio ou longo prazo?

Hang - Eu participei esse ano em Nova York na NRF, que é uma feira de varejo mundial, e senti que as pessoas me procuravam no sentido de tentar mudar a Black Friday para setembro. E por coincidência veio a ideia da Secretaria de Comunicação [do governo federal] da Semana do Brasil. Então, eu acho plausível, acho importante o varejo brasileiro pensar em mudar de novembro, que é uma data muito ruim para o varejo porque ele já está aquecido com as vendas de Natal, e fazermos a Semana do Brasil ser cada mais forte para aquecer o mês de setembro, que é o mês mais fraco do ano em datas comemorativas.


R7 – O senhor foi um dos principais apoiadores do presidente Jair Bolsonaro durante a campanha. Como avalia as ações do governo nesses primeiros meses do novo governo e as polêmicas?

Hang - Eu avalio muito bem. Eu daria nota 10 com estrelinha. Era tanta mentira nesse país. Era tanta coisa errada, tanta falta de lógica, tanta sacanagem, tanta corrupção, tanta incompetência. Mas agora as coisas estão andando.
Em relação às polêmicas, eu adoro uma polêmica. Ela muda a forma de pensar. Você tem um modelo mental formado durante os últimos 30 anos pelos intelectuais entre parêntesis que doutrinaram os jovens e os induziram a pensar de maneira errada, tanto politicamente como em termos de ideologia e cultura. A ideologia forma a cultura de uma sociedade, e a cultura dessa sociedade forma as metas de um país. Então como a ideologia é errada, é ideologia do mal, uma coisa ultrapassada, formaram-se nos últimos 30 anos a cultura errada e as metas erradas.

Então chega um presidente que está mudando tudo, tanto na economia liberal, quanto no conservadorismo de costumes, faz com que qualquer palavra se torne uma polêmica. Mas na realidade a polêmica é formada porque a nossa cultura, a nossa ideologia, e as nossas metas estão erradas. Cada vez que o presidente sai do Palácio da Alvorada e fala com a velha mídia, aquela que foi uma das responsáveis na impregnação da ideologia do mal, dessas metas ultrapassadas, ele dá uma pitada de verdade e faz com toda sociedade, principalmente a velha mídia, que viveu a vida toda nas custas do governo, fique em polvorosa. Na realidade, na minha concepção, não tem nenhuma polêmica. É só a realidade nua e crua sendo falada de forma verdadeira.
Que libere tudo todo mês, diz sobre o saque do FGTS

R7 - O senhor é a favor das retiradas do FGTS que começaram na sexta-feira (13)? Pode favorecer o comércio?

Hang - Eu sou a favor de liberar tudo. O FGTS nada mais é do que um imposto para as empresas. Como funciona nos EUA? A empresa dá todo dinheiro nas mãos do cidadão. Aqui, o governo diz o seguinte ao cidadão. “Você não tem capacidade de cuidar do seu dinheiro”. Então o empregador dá um salário para o cidadão e dá outro para o governo, que diz que vai cuidar do cidadão, mas depois não dá saúde, educação, segurança, nada. Ou seja, o governo fica com o dinheiro. Eu sou favorável a que nós entreguemos o dinheiro todo para o cidadão e ele gaste da melhor forma possível, como acontece nos EUA, e que ele possa comprar um plano de saúde, previdência privada, produtos, e nós não precisemos entregar o dinheiro do cidadão para o governo. Que libere tudo todo mês. Coloque todo mês na conta do cidadão o dinheiro dele.

R7 - Em relação à nova CPMF, que deverá ficar de fora da reforma trabalhista, segundo o presidente Bolsonaro. O governo estuda agora alternativas para não perder a arrecadação. Uma das possibilidades seria taxar dividendos. Como vê essa ideia?

Hang – Em relação à CPMF, escutei em uma palestra do Paulo Guedes que a ideia seria uma pequena taxa de 0,2% em cima de toda a movimentação financeira do país para reduzir a carga tributária sobre a folha de pagamento. Com isso nós aumentaríamos a empregabilidade do país. Eu sou a favor se for dessa forma. A folha no Brasil é uma das mais caras do mundo. Nos EUA as empresas pagam semanalmente, quinzenalmente, a folha é muito simples lá para fazer. Aqui no Brasil demora um mês para fazer e paga altas taxas sobre essa folha.

Eu acho que tem muitos modelos mentais na nossa cabeça baseados numa CPMF que começaram a cobrar de 0,37% e que era para ajudar a saúde. No final, foi para outras áreas e nunca melhorou a saúde. Se você está no fundo do poço, você precisa ter coragem de tomar decisões para mudar o status do que estamos vivendo hoje. Eu faço isso todo dia na minha empresa. No Brasil, o governo é muito engessado. Fazem muitas leis, e depois para desfazer as leis é muito difícil. Não deveria nem ser lei, deveria ser decreto.
Hang brinca com óculos em evento com Bolsonaro

R7 - O IBGE mostrou crescimento de 1% no varejo em julho. A que isso se deve?

Hang - Eu acho que é confiança do empresário na nova gestão. Ninguém estaria investindo no país se o Haddad tivesse ganhado. Se ele tivesse ganhado eu teria botado minhas empresas à venda no dia 29 de outubro. Todo mundo ia embora. Quem ficasse ia quebrar as empresas que nem quebraram na Venezuela. A confiança faz com que as pessoas comecem a investir e gerar emprego. Agora, é muito importante baixar a carga tributária do Brasil, que é uma das mais altas do mundo sem retorno à sociedade. O dinheiro vai simplesmente para manter a máquina pública, é altos salários, incompetência, corrupção e principalmente a burocracia que tomou conta da máquina pública não deixando o cidadão investir e colocar a economia para funcionar.

R7 - Qual o plano da Havan para os próximos anos? O e-commerce é uma ameaça à expansão das lojas?

Hang - A Havan está crescendo esse ano 70%. Nós começamos o ano com 120 lojas e vamos acabar o ano com 145, ultrapassando a nossa meta. Temos como meta chegar a 200 megalojas até 2022. Estamos muito animados, acelerando, acreditando no país. O e-commerce vem somar, não atrapalhar. A tecnologia veio para favorecer o atendimento ao cliente.

R7 – Como viu a notificação por parte do Ministério Público sobre o uso irregular da bandeira do Brasil nos cartões de compras dados pela Havan aos clientes? Pretende pedir ao governo uma mudança na legislação para tornar isso mais flexível?

Hang - Já comentei com o pessoal do governo. Há uma lei de 1971 muito restritiva à bandeira nacional. O governo tem que acreditar no cidadão. Tem que deixar o cidadão usar da sua criatividade, da sua capacidade de trabalho, e deixar o povo trabalhar. E também usar a bandeira. Nos EUA usam a bandeira para fazer calcinha, cueca, sutiã, meia, para colocar na casa, no carro, no caminhão, em tudo que você possa fazer. Vejo isso em Israel também e outros países. Cria no cidadão o patriotismo. As cores da bandeira são incorporadas na vida do cidadão. Lamentavelmente a esquerda pensa o contrário. Usa o vermelho para afrontar as cores do país para que as pessoas não tenham mais amor e nem patriotismo pelo seu país. É dessa forma que eles conseguem dividir a sociedade e tomar o poder.

FONTE: R7

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Âncora da Globo: Empresário Luciano Hang diz que lutará contra volta da esquerda
Empresário Luciano Hang diz que lutará contra volta da esquerda
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